Na rede

03/11/2010

Dois discos e um EP vazaram hoje. Todos aguardados ansiosamente por mim. Uma palhinha de cada um com o respectivo link parada download.

Vamos ?

A voz rascante e inconfundível do Gnarls Barkley, Cee Lo Green, com Lady Killer

A dupla Crystal Castle, que fez um dos melhores show de 2010 em terras brasileiras, volta com o sujeira 8bits em disco homônimo.

E o Digitalism resurge depois de um hiato de 2 anos com o atmosférico EP Blitz.


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Dá ou não dá a impressão de que o telefone fica gosmento?

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Up From The Skies

19/09/2010

foto de Gered Mankowitz

Para não passar em branco os 40 anos de morte de Jimi Hendrix, aqui vai uma versão jazzy de “Up From The Skies”, feita pela escocesa Sylvia Rae Tracey.

Na verdade o próprio track original, do álbum Axis: Bold As Love, de 1967, já era bem jazzístico, graças principalmente ao fabuloso e recém falecido baterista Mitch Mitchell, entusiasta do estilo.

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Livros demais?

03/08/2010

Estive no fim de semana numa livraria e, incrivelmente, resisti com bravura à compra de mais um livro.  Se por um lado sair de lá com uma sacola nas mãos sempre me trouxe alegria, por outro, ao chegar em casa, olhar a estante repleta de livros que ainda não li me causa uma espécie de auto embaraço e uma leve pontada de culpa. Saí da livraria feliz com o drible que me dei e ao mesmo tempo com uma sensação de vazio  — emocional, intelectual etc.,  menos financeiro.

Mas, afinal, por que agimos assim? Por que gastamos grana com livros quando ainda temos  uma pilha a ser lida? O que nos leva a comprarmos livros numa quantidade desproporcional a sua leitura?

Mandei essas indagações para alguns amigos e conhecidos. Eis as respostas:

Cecília Giannetti (escritora)

Acho que muita gente que tem na estante mais livros não-lidos do que lidos (e segue aumentando o estoque) faz isso porque vive em dois tempos: um é o tempo mágico, realidade alternativa em que todos os dias são feriado num local onde não há internet, telefones nem tv, e o dono dos livros imagina que acontece num futuro próximo, quando o destino se encarregará de dar-lhe um prêmio lotérico, uma herança, e/ou a convicção de que deve se manter desempregado para que possa se dedicar inteiramente à leitura.

O outro tempo é o tempo real, que é o único que existe mesmo. É um tempo mesquinho em que o dono dos livros de fato pode se dedicar à leitura do trecho de texto que couber no trajeto de metrô ou ônibus ou num intervalo de almoço etc.

Mariana Newlands (designer)

Porque os livros que (ainda) não lemos mas que pretendemos ler dizem tanto sobre nosso momento, desejo e gosto como os livros que já lemos – é preciso tê-los por perto desde a primeira vontade.

Luiz Biajoni (escritor)

Na verdade, acho que poucas pessoas compram livros. Boa parte dessas pessoas compra para dar de presente. Uma parcela muito, muito pequena compra mais livros do que consegue ler. O problema é que essas pessoas se relacionam com pessoas parecidas, pois têm afinidade com elas. Assim, acham que existe mais gente assim do que existe, na verdade.

Pessoas como nós, que compram mais livros do que conseguem ler são, de fato, quase uma raridade. Centenas de degraus abaixo, por exemplo, das pessoas que ouvem funk. E nós fazemos isso de comprar mais livros do que conseguimos ler pois somos possessivos e queremos ter o livro ao nosso alcance, nem que seja apenas para admira-lo no nosso momento. E também para que possamos continuar fazendo parte desse grupinho elitista e narcisista chamado “pessoas que compram mais livros do que conseguem ler”.

Maurício Gouveia (dono do sebo Baratos da Ribeiro)

Porque de compromissos já bastam aqueles a que a vida profissional, familiar e amorosa nos impõem. Nossa curiosidade costuma ter humor volúvel e pender ora para um assunto, ora para outro. Graças ao bom Deus! Não se deve lutar contra isso. Uma biblioteca é um mapa dos interesses que o dono já teve, mas não se deve cobrar dele que tenha tido seriedade nem profundidade em todas as suas investigações. Eu costumo inclusive abandonar, sem culpa ou piedade, leituras pela metade – na verdade à vezes bastam algumas páginas.

Andrea del Fuego (escritora)

Para colocar em ordem os desejos, os livros ainda não lidos vão sendo reorganizados de tempos em tempos, subindo e descendo na hierarquia. Alguns terão a leitura adiantada, outros jamais serão abertos.

Dante Sasso (tradutor)

Além de ser um “fetiche” para muitos, o fato de comprar livros em uma quantidade maior do que somos capazes de lê-los se justifica como uma espécie de “resguardo” à cultura, já que o livro é o objeto que melhor representa esse elemento abstrato. Comprar livros, independentemente se você vai ou não abri-los, ainda funciona como uma perpetuação – inconsciente, talvez – do antigo hábito de difundir o conhecimento, especialmente nessa época onde, muitas vezes, a mera informação adquire mais importância do que o verdadeiro saber.

Crib Tanaka (escritora)

1- Porque, para quem ama ler, sentir o cheiro dos livros já é um convite à compra.

2- Porque a sensação de embarcar em uma história paralela à sua, e aprender um pouco sobre a vida e sobre a morte, em algumas páginas, é sedutora.

3- Porque poder levar capítulos embaixo do braço é o máximo da portabilidade.

4- Porque a idéia de que a cultura pode ser comprada é muito sedutora.

5- Porque o consumismo faz parte do capitalismo selvagem, onde vivo imersa.

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O Mombojó tinha vários indícios de que surgiria com um trabalho mediano em 2010. Siga as pistas comigo: a banda lançou um segundo disco apenas bom (Homem Espuma, 2006), depois de uma excelente e promissora estréia (Nadadenovo, 2004); saiu de uma gravadora e voltou à labuta independente; se confrontou com a morte prematura de um integrante; como se não bastasse o desfalque, um dos principais compositores da banda pulou fora poucos meses depois; já estava há 4 anos sem um trabalho novo, tempo demais para os dias amnésicos em que vivemos… enfim, as expectativas não eram muito promissoras.

Mas eis que surge o surpreendente “Amigo do Tempo”, um disco fantástico, bem amarrado melodiosamente, rico em nuances, onde o Mombojó sai vitorioso na busca por timbres memoráveis. Se antes a banda possuía boas idéias nem sempre bem alocadas, desta vez a produção do disco foi impecável, com cada instrumento no lugar certo, na medida certa. E por mais que isso tenha se tornado um lugar-comum, o disco ganha corpo a cada audição.

Baixe o disco aqui

O clima intimista, que gera uma sensação de aparente desespero controlado ainda está lá, só que de uma forma mais sóbria e bem resolvida que nos discos anteriores, onde o denso e o leve caminham lado a lado, sem que um se sobreponha ao outro por mais de um minuto. “Amigo do Tempo” nos coloca numa gangorra sinistra de desconforto e afeto.

Um desconforto agradável e um afeto receoso, alerto.

Momento leve com “Papapa”, lançado há poucos dias: música foda, clipe idem

Ainda impactado com essa pequena obra prima da música brasileira contemporânea, conversei rapidamente com o tecladista Chiquinho, que falou ao Sedativo sobre o novo disco, o tempo  e sushis.

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Sedativo – Vocês passaram por duas baixas na banda e não estão mais com uma gravadora. Foi difícil compor este disco?

Chiquinho – Compor, nem tanto. Eu diria que a maior dificuldade foi na organização e no planejamento de todo o processo. É sempre mais difícil planejar tudo sem muita grana.

Sedativo – O tempo é uma palavra recorrente no trabalho de vocês. Qual a importância dele para a obra do Mombojó?

Chiquinho – Nesse ultimo trabalho tivemos que aprender a ter muita paciência e lidar com muita tranquilidade em relação ao tempo. Tínhamos uma pressão enorme de lançar um outro disco pra nos mantermos vivos. Porém, sem muito dinheiro, tivemos que ir aos poucos, fazendo shows, juntando, pra ir fazendo as coisas do jeito que a gente queria.

Sedativo – Foram quatro anos sem lançar um disco. Isso, hoje em dia, gera esquecimento e desinteresse. Mas ainda assim vocês conseguiram manter as pessoas interessadas. Qual é a fórmula?

Chiquinho – Apostamos muito na ideia de manter nossos laços cada vez mais estreitos com o nosso público. É sempre bom alimentar o site, trocar ideia, tentando fazer com que as pessoas queiram saber o que a gente anda fazendo, ou que queira consumir cada vez mais Mombojó.

Chiquinho, Vicente Machado, Marcelo Machado, Samuel e Felipe

Sedativo – Vocês já estão em São Paulo há alguns anos. De que forma essa mudança refletiu no trabalho da banda?

Chiquinho – Vivemos indo e vindo à São Paulo há uns 5 anos, pelo menos. Mas há quase 2 anos que deixamos de importunar nossos amigos anfitriões paulistas e passamos a pagar nossos alugueis! hehehe. São Paulo nos deu uma dinâmica diferente de trabalho, muito mais rápida e diversificada.

Sedativo – A Karina Buhr foi editora convidada da revista TPM há poucos meses e disse uma coisa em seu editorial que eu sempre questionei: “música do Nordeste é regional e do Sudeste é urbana”. De onde vem essa distorção? Porque o maracatu é “regional” e o funk carioca e a milonga, não?

Chiquinho – hahahaha Acho que eu prefiro deixar esses rótulos pra quem entende do assunto. Tenho muito orgulho da música e de toda a cultura que vem da minha região! Isso é fato.

Sedativo – O Mombojó já se aventurou no mercado gringo? Dia desses mesmo, enquanto assistia a um vídeo de vocês no youtube, li um comentário de um gringo dizendo algo como “não estou entendendo o que ele diz, mas gosto disso”.

Chiquinho – Fizemos alguns poucos shows pela Europa, mas nada muito significante, ainda. Esperamos poder trabalhar mais esse aspecto a partir de agora. Sempre recebemos mensagens de gente de fora do pais. Diria que a meta maior do Mombojó é tocar no Japão!

Sedativo – Que história é essa de vocês terem virado sushi em Recife? (rs)

Chiquinho – Fomos homenageados por um restaurante japonês de Recife chamado Sumo. Eles Fizeram um prato chamado uramaki mombojó. É um sushi enrolado com o arroz por fora, coberto com gergelim torrado. A alga marinha fica por dentro, junto ao recheio de atum fresco, ova de massago, raspas de limão, leve toque de wassabi (raiz forte) e shoyu cítrico. Que beleza, hen!? Hehehe

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Vertigem atrasada

13/07/2010

Todo mundo já sabe que essa vida de músicas compactadas em arquivos faz a gente não se ligar em detalhes gráficos dos álbuns, pra citar apenas um exemplo corriqueiro dos novos tempos.

Por conseguinte, foi com grande surpresa que percebi somente hoje que o disco que elegi como o melhor de 2009, o arrebatador Merriweather Post Pavilion, do Animal Collective, tem uma capa que causa vertigens no olhar.

Tentei botar como imagem de fundo no desktop, mas, claro, não aguentei nem metade de um dia.

Meu programa preferido do dial carioca, o Geléia Moderna da Roquete Pinto comemorou 100 edições  sábado passado e convidou a banda Autoramas para uma apresentação ao vivo no auditório da rádio.

Eu estava lá sentadinho assistindo e curti bastante, tanto a apresentação da banda quanto ao programa em si, que é sempre muito agradável, produzido por Jorge  LZ e Brant, dupla que  tem conhecimento de causa e nenhum pingo de pedantismo, muito comum ao gênero.

Mesmo com uma apresentação ao vivo, manteve-se a dinâmica do Geléia, que mescla músicas de artistas novos com o trabalho dos convidados, além de um bate-papo descontraído,  sempre bacana de se ouvir.

E durante a entrevista podemos conferir toda sabedoria de Gabriel Thomas, como este diálogo que reproduzo editado:

Jorge LZ- “Qual disco você levaria para uma ilha deserta?”

Gabriel Thomas – ” ‘Oh no it’s Devo’. Eu acho o Devo a melhor banda de todos os tempos. Não tem pra Beatles… As pessoas ficam ofendidas quando digo isso, mas é só uma questão de gosto.”

Flávia Cury – “Eu sei que é uma redundância falar isso, mas eu levaria Revolver, dos Beatles… ” (…) “Mas será que nós estaremos juntos na ilha deserta, pra trocarmos os discos de vez em quando?”

Gabriel Thomas  – “Pois é, esse é o problema das ilhas desertas. Se todo mundo se encontrar só vai ter disco dos Beatles“.

Baixa lá o programa.

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