Muito boa esta música dos caras!

“To Planejando”

O disco do Rockz sai mês que vem, o segundo da carreira, e chama-se A Tão Sonhada Bicicleta.

Descobri através do Urbe.

Anúncios

damo suzuki 01

Para quem perdeu o show de terça, como eu, hoje será a última oportunidade de assisitir à lenda Damo Suzuki no Rio de Janeiro. Damo foi vocalista do Can durante apenas três anos. Mas foram justamente os três anos mais prolíficos do grupo alemão, de onde sairam Tago mago (1971), Ege bamyasi (1972) e Future days (1973). Essa trilogia foi fundamental para várias bandas na década seguinte. Quer ver só? Repare neste vídeo de “Mushroom” como o Can foi uma grande influência para o Joy Division, por exemplo.

Agora, não espere nada disso aí de cima.  O show é todo calcado no improviso, numa turnê eterna, sempre com uma escalação local de músicos. Eu realmente não conheço nada dele fora do Can, mas não perderei o show de hoje por nada. Vá e esteja preparado para tudo.  Farei o mesmo.

Teatro Ipanema, Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema – 70,00 reais a inteira

Fim de jogo

27/05/2009

Poucos dias antes de iniciar este blog, eu recebi um e-mail do Beni Borja onde ele questionava a importância de existir alguém apontando o que deve ser prestado a atenção em um mar de infinitas opções que é a web.  Guardei este mail porque pensei em mais tarde respondê-lo, o que acabei não fazendo.  Então, para não deixá-lo passar em branco, divido a indagação com vocês. A dúvida é pertinente e diz respeito a veículos de divulgação como o Sedativo.  O que me faz questionar, enquanto olho para o meu próprio umbigo: qual é a validade, afinal, de ser manter um blog sobre música?

Beni, numa rápida apresentação, é dono do selo Psicotronica, que já lançou artistas como Picassos Falsos, Toni Platão e Júlia Debasse, além de ser um dos fundadores do Kid Abelha.

beni

***

Caríssimos,

Alguns meses atrás ,eu contribui  para superlotação das suas caixas postais com um email onde eu saudava a contratação pela EMI do Douglas Merrill da Google, para a vice-presidência da gravadora inglesa.

Ontem [26 de março] o novo chefão da EMI , um executivo italiano que fez carreira vendendo produtos de limpeza, anunciou a demissão do sujeito, depois de menos de um ano de casa.

Na ocasião, me pareceu  que a contratação de um ex-Google pela menor das “majors”, era um sinal de que finalmente elas se renderiam ao inevitável. Quis acreditar que finalmente a indústria fonográfia começaria a se mover na direção de um novo modelo de negócio  adequado a realidade da vida digital.

Puro otimismo da minha parte.

No último ano ficou cada vez mais claro que isso não vai acontecer. A estratégia das grandes é cada vez mais se concentrar no que ainda resta de mercado para produtos físicos (CDs),  ao mesmo tempo em que, sem nenhuma competência, tentam ingressar no mercado de shows.  Ou seja, caminham à passos largos para a irrelevância.

Só as grandes gravadoras tinham o poder de tentar fazer uma transição relativamente ordenada para um novo mercado de música digital. Talvez elas não tivessem na prática esse poder, talvez lhes tenha faltado a coragem de dar um salto no escuro, mas o certo é que o momento onde a sobrevivência era possível já passou. Agora resta apenas uma lenta morte por inanição.

Lamento este fim melancólico. Não porque eu tivesse algum apreço especial pelo antigo modelo, mas porque o desmonte da indústria como conhecemos deixa uma grande lacuna para o público consumidor de música.

Por incrível que hoje isso possa parecer, as gravadoras em outros tempos já  prestaram um relevante serviço para a música. O serviço que em outras artes se chama curadoria. Era nos departamentos artísticos de gravadoras que se fazia curadoria de música popular.

Mais do que o compromisso de investimento de uma empresa, assinar contrato com uma gravadora significava para um artista novo a aprovação do seu trabalho por alguém que entendia do mercado de música. O contrato com a gravadora abria as portas da mídia, mobilizava os empresários, era uma senha para ser levado à sério.

Com a democratização da gravação digital , mais do que nunca artistas precisam da validação de um curador para se destacar do meio da multidão de uma produção desenfreada.

Hoje temos blogs, redes sociais, serviços de “streaming”, uma série infindável e crescente de meios de ouvir música, mas a questão é :

Quem vai dizer ao público o que merece ser ouvido?

saudações musicais,

Beni

stela campos 01

Enquanto o disco Mustang Bar não é lançado,  Stela Campos libera um EPezinho, como aperitivo.  Chama-se Brand New Robots e possui quatro músicas, sendo a faixa título, mais uma versão demo de “Scaramanga”, ambas presentes no álbum, além de “Dumbo” e “Home Alone”, tiradas do fundo do HD da cantora.

Há pouco ela já havia disponibilizado o single “Laura Te Espera Com Uma Arma Na Mão”, com uma versão classuda de “Chico Buarque Song”, extraída do clássico Amor Louco, do Fellini. Ali eu já havia percebido que ela manteria o nível de toda sua obra.

Clipe lançado nesta semana: “Laura Te Espera Com Uma Arma Na Mão”

Acontece o seguinte, devo confessar: sou um ferrenho entusiasta dessa paulistana, que já tocou no cult Funziona Senza Vapore; circulou com a galera do mangue bit, enquanto o movimento ainda era um embrião; teve uma banda maravilhosa nos 1990 chamada Lara Hanouska e se lançou em carreira solo há dez anos.  Durante todo este percurso, ela não deu uma bola fora. É impressionante.

O show de lançamento do novo álbum será dia 6 de junho, em São Paulo.  Mustang Bar é o quarto de sua carreira solo.

Baixe aqui o EP e aqui o single. Pra quem não conhece, o som é um rock, meio indie, bem psicodélico, com bastante ruídos e microfonias. É experimental e, ainda assim, é pop. Desde já, um dos melhores lançamentos do ano. Recomendo enfaticamente.

Eu adoro quando um objeto que foi criado para uma determinada finalidade é subvertido para outros fins.  Mais ainda quando tal peça  é taxada de obsoleta. Para o objeto em si, deve ser uma glória e tanto, com ares de vingança.  ;  )

Você pode até não gostar desta música do Queen. Ou pode até mesmo não gostar do Queen. Mas, admita vai, ficou muito bom.

sxsw-festival-09

Imagine uma cidade inteira com eventos em todas as esquinas, casas de shows, restaurantes. Milhares de pessoas andando pelas ruas, fechadas para veículos. Bandas iniciantes do mundo inteiro, bandas mais ou menos conhecidas do (e no) mundo inteiro, bandas mundialmente conhecidas fazendo shows surpresas para 300 pessoas que, por acaso, passaram pelo local na hora. Uma mobilização que envolve quase duas mil bandas. Além disso, você vai esbarrar com representantes de gravadoras do mundo inteiro, produtores e empresários do mundo inteiro e jornalistas do mundo inteiro. Enfim, um local onde todas as atenções estão voltadas para a música.

Imaginou? Mesmo? Isso é o South By Southwest, festival em Austin, no Texas, que ocorre durante cinco dias, todos os anos, sempre no mês de março.

sxsw_by_HeadsUpBoston

E se você acha que esta é uma realidade distante para a sua banda, está na hora de rever seus conceitos. A Abrafim, a BM&A, o selo Monstro Discos e a produtora Tronco se articularam num mutirão e levaram, segundo o site da BM&A, 22 bandas brasileiras para o Texas, catorze a mais que o ano passado. Ou seja, com boa vontade, dedicação e uma graninha para o investimento, dá pra ir, sim. Quer dizer, precisa ter uma dose de talento também, não se esqueça do principal. : )

A próxima edição, só no ano que vem. “Ah, mas tá longe ainda”. Nem tanto. Você já pode ir se familiarizando com o evento, sabendo como se cadastrar no festival, como tirar vistos, ou seja, todo o lado burocrático que, querendo ou não, você precisa lidar e que não se resolve em pouco tempo. Ano passado mesmo, teve banda que deixou de ir porque não se organizou direito e deixou faltar documento na papelada, embora estando tudo acertado com o festival.

Mandei algumas perguntas para Guilherme Saldanha, do sexteto Garotas Suecas, de São Paulo; o catarinense Cassim, do grupo Cassim & Barbária e Paula Nozzari da dupla sulista Canja Rave. As três bandas participaram neste ano do SxSW e foram unânimes ao afirmar: é um investimento que vale a pena.

austin1

Sedativo – Como você explicaria o evento para quem não o conhece?

Guilherme (Garotas Suecas) – Alguém já descreveu o South By como o carnaval do rock. Acho que essa é uma boa descrição. Ruas interditadas, um monte de gente circulando pelas avenidas, música ao ar livre e o calor texano, que não deixa nada a dever ao verão nordestino.

Paula (Canja Rave) – O evento é muito maior do que imaginávamos, pois a cidade inteira vira o festival. Em todos os bares, casas de shows, igrejas e nas ruas tem alguém tocando. Pessoas pra todos os lados, de todos os lugares do mundo com visuais descolados, bicicletas, bandas, barulho, som, som, som!

Cassim (Cassim & Barbária) – Se você gosta de música independente tem que peregrinar para a sua Meca, ao menos uma vez na vida. É isso o que o SxSW é. Boa parte do que está acontecendo no mundo da música está lá. É como um carnaval para roqueiros. As ruas centrais de Austin são fechadas e tomadas pelos pedestres e acontecem shows em todos os cantos. É impressionante a quantidade de informação.

sxsw_by_pastemagazine

Sedativo – Como foi o processo anterior ao evento?

Guilherme (Garotas Suecas) – Bom, é uma longa estória que pode ser resumida assim: em julho de 2008 nós decidimos visitar nosso guitarrista Sesa, que estava morando em NY desde 2007. Aproveitamos para fazer alguns shows em pequenos clubes de Manhatan e do Brooklyn. Num desses shows nós conhecemos a Michelle, que roda essa agência chamada Panache. Ela se encantou com nosso show e nos convidou para voltarmos em janeiro, fazendo uma turnê mais estruturada.

Em janeiro deste ano a gente voltou para os EUA para tocar em várias cidades, como Washington, Filadélfia, Boston etc. Foram 15 shows no total. Num destes shows estava Carrie Brownstein, jornalista e fundadora da banda Sleater-Kinney. Ela se encantou com nosso show e postou a crítica mais maravilhosa que alguém jamais poderia escrever sobre alguma banda em seu blog no site da Rádio Pública Nacional (NPR).  Com ajuda da Panache e da NPR nós conseguimos um convite para tocar no SxSW.

Paula (Canja Rave) – Nós havíamos feito uma turnê em julho de 2008 pelos Estados Unidos de costa a costa do país: NYC, Youngstown, Detroit, Chicago, Sacramento, San Franscisco. Foram 13 shows em 18 dias. Na volta, nos inscrevemos para o SxSW e em setembro tivemos a resposta que havíamos sido selecionados para o evento que ocorreria em março. Fizemos um projeto para o Ministério da Cultura, passamos por quatro etapas e finalmente o projeto foi aprovado.

Paula Nozzari e Christian Kochenborger: Canja Rave

Sedativo – Qual infra que o evento dá? Como funciona a logística?

Guilherme (Garotas Suecas) – O festival acontece em duas frentes. Uma, a oficial, é organizada pela equipe do SxSW, claro. A outra, paralela, é organizada, por indivíduos, clubes, agências etc. Tudo acontece ao-mesmo-tempo-agora em pequenos clubes no centro de Austin. Os showcases oficiais têm uma visibilidade maior, são mais bem frequentados e mais estruturados.

Os eventos paralelos, no entanto, não ficam muito atrás. A gente, por exemplo, tocou em uma festa paralela bem bacana, a TODD P Party. Foi ao ar livre, com um monte de bandas legais, um público bem grande e um clima de Woodstock.

Paula (Canja Rave) – Quando você já está confirmado para tocar no evento, escolhe ou o cachê, que não é alto, mas são mais de mil bandas, então é bem justo, ou você opta por uma credencial que dá direito a entrar em muitas palestras “especiais”. As pulseiras que as bandas recebem dão o direito a entrar em algumas palestras e em todos os shows, mas nas palestras especiais só com essa credencial.

Por serem milhares de lugares simultaneamente, o festival não tem como fornecer o equipamento para todos, então as próprias bandas se organizam para dividir o back line, ou seja, alugam juntos bateria, amplificadores etc. É claro que as bandas tem que fazer tudo com muita antecedência, pois sem equipamento não tem show.

Cassim (Cassim & Barbária) – A infra basicamente é o lugar, os PAs, a mesa, um produtor e alguns roadies. A divulgação depende totalmente das bandas que tocam. O equipamento também. Como tínhamos comprado todo o equipo para a tour, não nos faltou nada e a gente ainda emprestou amplificadores para as outras bandas.

Garotas Suecas

Garotas Suecas

Sedativo – Vocês se apresentaram exatamente onde?

Guilherme (Garotas Suecas) – Nós fizemos onze shows durante os cinco dias de festival. Um oficial, no showcase da Panache, e dez paralelos.

Paula (Canja Rave) – Na verdade a Canja Rave foi uma das únicas bandas chamada para tocar em dois shows oficiais, o que é bastante raro. A maioria das bandas toca em um show oficial e faz outros shows não oficias que acabam rolando.

Nós tocamos no The Rio na noite brasileira junto com Vandex, Oxe, Érika Machado, entre outros, e no Lamberts com Bo-Peep, do Japão; Little Thief e Talk to Angels, da Inglaterra; Tom Cary, da Espanha; The Dangerous Summer, de USA e The Beat Poets, da Irlanda.
Cassim (Cassim & Barbária) – O primeiro show foi no The Rio, que como casa de shows, é meio fora de mão, mas é um dos mais famosos restaurantes tex-mex de Austin. Tinha umas 20 pessoas lá, desses, pelo menos uns três jornalistas que fizeram bons reviews e fotos. Um dos caras do Black Lips também estava lá, acho que ele tinha ido pra jantar e acabou nos conhecendo. Ele comprou um CD e disse que adorou.

O segundo show foi na Igreja Presbiteriana de Austin, um evento organizado pela BM&A e Tronco do Brasil. Fomos a última banda a se apresentar numa tarde de Sábado. Fora a Stephanie Toth, os outros artistas não tinham nada a ver com a gente, eram de MPB.

Imagens selecionadas da tour do Cassim & Barbária

Sedativo – Ser uma banda brasileira gera algum interesse?

Guilherme (Garotas Suecas) – Ser uma banda brasileira, por si só, não gera nenhum interesse. A Spin disse que “os caras” eram o Devo, a PJ Harvey e o Garotas Suecas; o NY Times me parafraseou na capa do The Arts e o Angelo, que nunca nos tinha visto, acabou indo em 10 dos 11 shows.

Paula (Canja Rave) – Em geral, os gringos são interessados em conhecer coisas novas e diferentes. Ao contrário dos brasileiros, que precisam de referência para tudo, a maioria se mostra curiosa e receptiva. Acho que ser brasileiro pode ser interessante principalmente se for cantado em português.
Cassim (Cassim & Barbária) – Gera. As pessoas têm uma boa expectativa sobre uma banda brasileira, e isso não significa que esperem que você toque samba, o que é muito bom. Em quase todos os shows teve gente que ficou louco e impressionado, mas três vezes, a coisa foi forte. Por causa de uma dessas vezes, estamos programando uma segunda turnê. Nosso disco sai lá em maio.

Cassim & Barbária

Cassim & Barbária

Sedativo – Além do SxSW vocês aproveitaram a ida e tocaram em outros lugares?

Guilherme (Garotas Suecas) – Sim. Fizemos mais quinze shows, além dos onze no Texas. Tocamos em NYC, Washington. Worcester, Filadélfia, Ithaca, Athens, Columbus, Cleveland, Chicago, Detroit, Princeton.

Paula (Canja Rave) – Sim, fizemos shows em cidades de Ohio e do Michigan, aliás, adoramos tocar nesses Estados. Além de fazer shows, gravamos um single com o lendário produtor musical Jim Diamond (produtor dos dois primeiros discos do White Stripes) no seu estúdio em Detroit.

Cassim (Cassim & Barbária) – Sim. Em NY, Asbury Park, Boston, Montreal, Toronto (no Canadian Music Week Festival), Athens, Washington DC e Philadelphia.

Garotas Suecas: fotos da passagem pelo SxSW

Sedativo – Como chamar a atenção num festival onde uma infinidade de coisas acontece simultaneamente?

Guilherme (Garotas Suecas) – Realmente é muito difícil. O SxSW é a maior concentração de bandas do planeta. A única maneira de chamar a atenção é criar algo musicalmente relevante.

Paula (Canja Rave) – Acho que tem que ser espontâneo e autêntico. Acredito que tudo que é feito com verdade e naturalidade pode chamar a atenção, mas jamais se deve ter a pretensão de agradar a todos, pois são milhares de pessoas, estilos e ouvidos diferentes!

Cassim (Cassim & Barbária) – Chamar a atenção é relativo. Acho que as bandas que prezam por qualidade de público são as que se dão bem. Afinal, o SxSW é um showcase, e isso significa você mostrar seu som para gravadoras, produtores, agentes, mídia e músicos. Foi isso o que tentamos fazer, portanto, se tivessem cinco pessoas, mas todas elas sendo de um dos grupos acima, já valeria a pena. E valeu.

Canja Rave

Canja Rave

Sedativo – Algum fato curioso do evento?

Guilherme (Garotas Suecas) – Tem alguns. Por exemplo, eu entrando em um prostíbulo mexicano chamado “Zota de Ouro” no subúrbio de Austin e perguntando para o cafetão: “Olá tudo bem? Eu sou do Garotas Suecas. Que horas a gente sobe?”. O taxista tinha errado o endereço do lugar que a gente ia tocar e nos levou pra zona de tolerância local. Só ainda não descobri se “zota”, no México, é aquilo que eu estou pensando que seja…

Paula (Canja Rave) – Sim! Nós estávamos falando antes do SxSW, via myspace, com a banda Sloth Scamper, de Taiwan. Dois integrantes da banda foram no nosso show – um casal — e depois vieram falar com a gente. Eu, que estava “íntima” pela web com o pessoal, ao vê-los pessoalmente fui cumprimentá-los com um abraço e um beijo. O menino ficou apavorado, super nervoso, tremia da cabeça aos pés! Quase fez pipi na calça! Com certeza, como eu estava na empolgação “pós show” nem me dei conta que eu não estava no Brasil, que ali tem milhares de culturas interagindo e eu jamais poderia ter dado um beijo no menino. Eles só se cumprimentam com a cabeça! Devem ter pensado: esses brasileiros são muito moderninhos mesmo, ela veio me beijar na frente do marido! Coitado, mas nos outros dias só dei “oi” com a cabeça e eles não deixaram de falar com a gente! Inclusive, foram no outro show… achei que o menino tinha ficado com medo de mim, mas eles entenderam que foi uma gafe cultural.

“Codinome Dinamite” e “Difícil de Domar”: Garotas Suecas

Sedativo – Qual foi o saldo final?

Guilherme (Garotas Suecas) – Demos mais um passo em direção a consolidação da nossa curta trajetória no EUA. Voltaremos lá provavelmente na primavera de 2010 para uma turnê nacional. Além disso, conseguimos ganhar alguma visibilidade fora da América, pois fomos convidados para tocar em festivais em outros continentes e lançar discos em lugares tão longínquos quanto o Japão.

Paula (Canja Rave) – Extremamente positivo! Muitos contatos, o nosso disco “Da Canja a Rave” será lançado no Japão e agora em maio estamos indo tocar no Festival Liverpool Sound City.

Cassim (Cassim & Barbária) – Um disco lançado, vários contatos e a possibilidade de uma segunda turnê ainda neste ano, além de uma viagem que nunca mais esquecerei!

Quicken the Heart

Distante de seu antecessor, Our Earthly Pleasures, e mais longe ainda da estréia de A Certain Trigger, que os notabilizou como “a” banda do momento, enfileirando vários hits, o Máxïmo Park se encontra numa situação bem delicada com Quicken the Heart.

Dentre as bandas que surgiram na mesma época (2004/2005), e que faziam um som com os dois pés — e a cabeça — fincados no pós-punk inglês, eles não se firmaram tão solidamente no mercado quanto um Franz Ferdinand, mas, por outro lado, já não precisam mais brigar pela sobrevivência como um Futureheads ou um Art Brut. Em outras palavras, este terceiro disco é o momento-limite para se marcar posição. Vai? Racha?

Infelizmente, Quicken the Heart é um álbum entre o mediano e o bom, que me valeu algumas audições para ganhar comedida simpatia. Surpreende de forma negativa justamente porque a banda já mostrou em outros momentos que pode ir mais longe (o que gerou expectativas), mas hoje não está muito certa como se deve agir para ainda se tornar relevante. Nem a produção de Nick Launay, que já trabalhou com bambas como Gang of Four, Kate Bush e Talking Heads, ajudou no foco.

De qualquer forma, se o Maxïmo Park perdeu um pouco de fôlego, pelo menos ele ainda garante ótimos momentos como “Let’s Get Clinical”, a música de trabalho “The Kids Are Sick Again” e os arranjos de guitarras vigorosos e o baixo cavalar de “The Penultimate Clinch”. Mas nada que sustente o disco por completo.

E uma última consideração: não sei quanto a você, mas este vocalista, o Paul Smith, pra mim continua sendo o preguinho do grupo, com uns trejeitos muito forçosamente ensaiados,  com zero de  espontaneidade. É isso mesmo, ou eu que estou de implicância?