Brollies & Apples

26/06/2009

Leela com Chernobyl, do Bonde do Rolê.

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jaqueta

Meu grande amigo Jaime Gonçalves me enviou este texto nos primeiros minutos da madrugada de hoje. Faço das palavras dele, as minhas.

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A notícia de que um ataque cardíaco havia matado Michael Jackson na noite desta quinta-feira foi a segunda pedrada recebida via MSN nesses alguns anos de internet. O baque anterior veio poucos segundos após um outro tipo de ataque: o choque do primeiro avião em uma das Torres Gêmeas, em 2001. Só o fato de serem dois momentos históricos indiscutíveis justificam a excentricidade de ter assuntos tão díspares dividindo o mesmo parágrafo.


Durante os longos primeiros minutos após a notícia, quando a morte do rei do pop era ainda apenas uma suposição, os comentaristas de TV, envoltos nas tramas enlameadas do Senado brasileiro, pareciam pegos de surpresa. O inenarrável, ao vivo, se mostrou um torturante salto no vazio para os apresentadores, que se esgueiravam entre a descrença e a busca por algo que resumisse o papel de Jackson na história da música mundial.


Hoje, talvez seja difícil para um moleque funkeiro da favela de Rio das Pedras, por exemplo, entender o que fazia a pirralhada da Baixada Fluminense dos anos 80 querer cantar, dançar e se vestir como um preto norte-americano, mesmo sem entender o que ele dizia em suas canções.


Pois era ao som de Beat it, vestidos com jaquetas vermelhas brilhosas que eram meros arremedos daquela usada por Michael em Thriller, que nós vagávamos no Puma também vermelho de um tio, pelas ruas esburacadas do bairro de Juscelino, em Mesquita. Todos, claro, se achando parte da gangue do videoclipe. Assim como os moleques do Brooklin, Soweto, Bogotá ou coisa que o valha.


Os contaminados por aquela epidemia pop acabaram por se curar ao longo dos anos. Muitos contraíram outro tipo de doença e hoje vagam por aí cantarolando pagodinhos medonhos. Mas o fato é que o vírus deixado pelo homem que ‘substituiu’ Fred Astaire no imaginário da dança popular e fez centenas de milhares de caras quererem repetir seus passos nos cimentos ásperos das praças de subúrbio mundo afora, aquele vírus, continuou a se manifestar sazonalmente, em menor ou maior intensidade, a cada lançamento de Jacko.


Vá lá saber o que significava para um moleque, crescido entre os terreiros de candomblé e os bancos das igrejas protestantes, ver aquele cara pular, gritar e se contorcer cantando Man in the mirror com tamanha virulência nos idos de 1988, em sua apresentação no Grammy. Com direito a coral negro e backing vocais envenenados, iluminados. Já era um Michael fisicamente modificado e aparentando ligeira fragilidade emocional. Ali alguém já deveria ter gritado, com a mesma força da canção, aquele outro alerta: ‘Beat it, Michael, beat it’.


Por Jaime Gonçalves Filho


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Eu estava aqui lembrando, Jaime: eu também andei pelas ruas do subúrbio nos anos 80, com correias de bicicleta enroladas nas mãos e várias amigos ao lado, todos se achando. Eventualmente nos encontrávamos com a “gangue da rua detrás” — meia dúzia de moleques franzinos e petulantes, assim como nós — e o som que tocava silenciosamente na minha cabeça nesses encontros (e possivelmente na deles também) era de Beat it. Por fim, toda aquela explosão de hormônios culminava, no máximo, em um empurrão de um lado, uma intimidação com palavras de efeito do outro e nada mais que isso. No fundo, Jaime, todos nós sabíamos que nunca passaríamos disso, era tudo um teatrinho. Mas, claro, ninguém admitia. E voltávamos pra casa nos vangloriando, por termos dado “a lição”. Agora ninguém mais, além da nossa tchurma, usaria o “nosso” terreno de terra batida, que chamávamos de campinho.

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Por essa e outras que ele era o Rei do Pop.

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Ai, ai, essa menina não toma jeito…

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Avante, Irã!

24/06/2009

iran_210

A brincadeira já existe há um tempo, mas só conheci agora, vendo no Lúcio. Ficaram bem bacanas, não?

Tem mais aqui ou aqui.

sexnoise_by_juliolima

Há uns quatro anos os caras do Sex Noise começaram a fazer um documentário sobre a banda.  O tempo passou, a banda acabou e ninguém mais tocou no assunto até que recebo hoje um e-mail do Larry Antha avisando que o documentário havia sido, enfim, editado.

O Sex Noise era uma banda punk da Zona Oeste do Rio, que se manteve ativa de 1992 até 2006. Era formado por Larry Antha (voz), Alex Dusky (guitarras) e Mário Jr (baixo), além de várias bateristas que passaram pela formação ao longo dos anos.  As letras absurdas do Larry, de uma poesia ímpar, meio trágicas e um pouco cômicas, eram o grande diferencial da banda.

Clipe de “Franzino Costela”, um marco na década de 1990

Sou suspeitíssimo pra falar, pois fui “empresário-faz tudo” da banda lá pelos idos dos anos 90 e fizemos algumas turnês pelo país nessa época. Cheguei a tocar guitarra em algumas apresentações as quais o Alex não pôde comparecer.

Entretanto, minha aproximação com a banda não me impede de afirmar que o Sex Noise foi um dos grupos mais queridos da cena musical carioca da década passada. Uma prova disso é a quantidade de gente tecendo comentários elogiosos sobre o quarteto no documentário: Marcelo D2, Pitty, B Negão, Nervoso, Marcelo Camelo, Tony Platão, Gabriel Thomas (Autoramas), Donida e Jimmy (Matanza), Rafael Ramos (Deckdisc), Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão (Leela), Marco Homobono (Djangos), Löis Lancaster (Zumbi do Mato), Kadu (Second Come) e até mesmo eu.   : )

O vídeo possui falhas técnicas como a inexistência de uma iluminação adequada em alguns momentos, assim como uma legenda básica quando entram os entrevistados, pois só um “iniciado no underground carioca” vai identificar quem é quem. Mas como tudo que envolve o Sex Noise, não estamos falando de metodologia, mas sim, fúria e sensibilidade.

Divulgo em primeira mão o documentário. Ele foi desmembrado em várias partes, pra ser visto no youtube. Dou o ponta pé inicial e deixo os links para os outros pedaços.

parte 2

parte 3

parte 4

parte 5

parte 6

parte 7

parte 8

capa_copa

Hoje será o lançamento, na Casa de Cultura Laura Alvin (Rio), às 19h, de Copacabana, uma HQ de tintas noir, com roteiro de S. Lobo. e traços de Odyr. A história conta o dia-a-dia (a noite-a-noite?) da prostituta Diana, que circula pela Atlântica, entre traficas, meninos de rua, turistas, travestis e velhinhas solitárias de cabelo lilás. Crônicas de um bairro de características bastante próprias, em notória decadência, mas que, ainda hoje, encanta quem o conhece e assusta quem tenta desvendá-lo. Além de acolher (engolir, regurgitar) todo o tipo de gente, criando uma fauna urbana riquissima em espécie, antropologicamente única.

A HQ foi publicada pela Desiderata e possui 200 páginas.

Fiz uma rápida entrevista com Lobo por e-mail. Vamos a ela.

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lobo

Lobo, pelo traço do Odyr

Sedativo – São histórias reais?

A grande maioria sim, muito daquilo aconteceu. Alguns fatos foram mudados pra se conseguir mais dramaticidade ou para funcionar melhor na trama. O álbum é uma grande colagem de fragmentos reais. Meu trabalho foi arrumá-los para que fizessem algum sentido juntos, que representassem a noite do bairro como eu vejo.

Sedativo – O que faz de Copacabana um bairro único?

É uma síntese do mundo, tem gente de tudo que é tipo, de todas as classes sociais, são culturas diferentes borbulhando no mesmo caldeirão. Mas é uma fórmula que dá certo, a vida aqui parece funcionar bem para todos.

Sedativo – O mercado das HQs no Brasil está claramente em ascenção. Isso é fenômeno estritamente nacional ou uma tendência na gringa?

Acho que tá melhorando no mundo todo. Os quadrinhos estão ocupando seu devido lugar!

Sedativo – Podemos esperar mais algum trabalho dessa parceria entre você e o Odyr?

Estamos preparando um álbum com histórias curtas de COPACABANA, tenho uma infinidade de anotações que não puderam ser usadas no livro e que merecem registro. Mas isso ainda leva um bom tempo.

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Rio de Janeiro
Dia 15/06 – segunda – 19h
Livraria Dona Laura
Casa de Cultura Laura Alvim
Avenida Vieira Souto, 176
Ipanema
Tel.: 21 25228362

São Paulo
Dia 17/06 – quarta – 19h
Loja Cachalote
Rua Ministro Ferreira Alves, 48
Vila Pompéia
Tel.: 11 3676 079

Curitiba
Dia 18/06 – quinta – 19h
Itiban Comic Shop
Av. Silva Jardim, 845
Centro
Tel.: 41 3232-5367

Porto Alegre
Dia 22/06 – segunda – 19h
Café Oca
Rua João Teles, 512
Bomfim
(51)3023-3538

Pelotas
Dia 24/06 – quarta – 19h
Livraria Vanguarda
Rua Gonçalves Chaves, 374 -Sala 2
Tel.: 53 30271234