“My Girls”, Animal Collective, 2009

“My Girls”, Ruby Isle, 2009

Mais Ruby Isle

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A freak girl Silvia Machete (aquela dos bambolês) fez um clipe bacaninha no improviso.

Segundo uma entrevista da própria para a revista TPM deste mês, ela estava tomando um café da manhã no Central Park com algumas amigas e decidiram que mais tarde iriam para Coney Island gravar imagens para um possível clipe.

Eis!

Simples assim.

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Vazou na rede um EP de 4 faixas do Massive Attack. Intitulado Splitting The Atom, o novo trabalho contem participações de Tunde Adebimpe (TV on the Radio) e Guy Garvey (Elbow), além do habitué Horace Andy.

A banda promete lançar um disco cheio para 2010 — coisa que não faz há 6 anos –, com o provisório nome de Weather Underground. E, pela qualidade das 4 músicas novas, será um belo disco.

Baixe o EP aqui.

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Zumbis em Copa

24/09/2009

E hoje tem Zombie Zombie na festa Daydreaming (Drinkeria Maldita Copa/RJ).

Começa cedo, 20h. Nos vemos lá?

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No início do ano Tom Leão falou em seu blog sobre a música “Pacific State”, do 808 State, que ainda não foi redescoberta pela nova geração. Achei bacana a lembrança, eu mesmo não os ouvia há mais de uma década. Ele citava também Guru Josh, traçando um paralelo entre essas músicas que possuem um sopro mequetrefe, impondo atenção. O fato é que, desde então, voltei a ouvir o 808 State intensamente. Eles foram importantes na popularização da house music e uma espécie de pioneiros do acid house, uma onda mais lisérgica do som vindo de Chicago, agregando elementos do techno de Detroit.

Surgida em 1988 em Manchester, eles vieram na mesma leva dos Charlatans, Inspiral Carpets e Stone Roses, embora nenhuma dessas bandas tenha afundado tanto o pé na eletrônica como eles. Os caras realmente abusavam da hoje clássica bateria eletrônica Roland TB 808 – daí o nome da banda – principalmente no primeiro disco, Newbuild. E graças a uma pressão dada por Gary Davies, um dos DJs ingleses mais influentes na época, que tocava “Pacific State” diariamente em seu programa na Radio 1, eles gravaram o EP Quadrastate, no mesmo ano.

“Pacific State” foi o primeiro single: alicerce para o chill out anos depois

Na época muita gente associou o 808 State ao ambient house, por conta do sucesso comercial do “Pacific State” e mais uma ou outra faixa, como “In Yolk” – embora esta última esteja mais próxima do ambient music de Brian Eno do que propriamente da house. Fora que quase não é levado em consideração o caráter progressivo das músicas. Enfim, eu acho essa associação um erro.

Eles eram bem mais do que isso, por vários motivos – e nem todos musicais. Afinal, era o novo Verão do Amor, e desta vez, no Velho Continente. A cena rave inglesa dava os primeiros passos enquanto os países do Leste Europeu tombavam, um a um, vendo surgir uma juventude ávida pelo consumo. No outro extremo do continente o hedonismo reinava e Ibiza era o centro das atenções.

Um ano depois eles apareceram com Ninety, consolidando sua posição entre os grandes. Mas, para mim, o melhor álbum veio somente em 1991 e chamava-se Ex:el. Quando uma fita cassete com este disco caiu em minhas mãos, eu pirei.

“Oops”, com vocais de Björk: anterior à sua carreira solo

Duas participações, de cara, me encheram os olhos: Bernard Sumner, do New Order, cantando na faixa “Spanish Heart” e Björk, pela primeira vez sem os Sugarcubes, emprestando sua abençoada voz na belíssima “Oops” e na esquizofrênica “Qmart” (achei um video da banda viajando até a Islândia para se encontrar com ela!). A faixa “Lift” trazia um teclado que, ouvindo hoje, me lembra a melodia de “Linha do Horizonte”, do brasileiríssimo Azymuth — de uma forma mais psicótica, é claro. A soturna “In Yer Face” foi o grande hit do álbum e ainda hoje não faz feio em nenhuma pista.

“In Yer Face”: o hit do disco

E tome pancada: Lambrusco Cowboy”, “Leo Leo”, San Francisco”, “Techno Bell”. Não é muito difícil perceber que em certa medida já antecipavam o que o Chemical Brothers faria em quase meia década a frente. Timidamente, era o bigbeat dando a cara.

A minha preferida de um disco pleno de acertos foi “Cubik”,  cheia de sirenes, como as usadas hoje por Klaxons e congêneres.

“Cubik”: o ápice criativo

Depois deste período gravaram o álbum Gorgeus, já sem Martin Price,  uma das cabeças da banda, ficando unicamente a cargo de Graham Massey o controle do barco. Isso refletiu imensamente nas novas composições, cada vez mais pops. Mas o disco tem seus bons momentos, além de trazer um convidado especialíssimo: Ian McCulloch, do Echo & The Bunnymen, ainda que pouco explorado em seu potencial na faixa “Moses”. Lá também tem “Contrique”, com a citação explícita de “She lost Control”. O maior sucesso deste álbum, porém, foi uma versão sei-lá-o-que de One In Ten, do UB40 — uma banda bem sei-lá-o-que também, se é que me entendem.

Em 96 lançaram Don Solaris, que possui momentos ótimos como em “Azura” e “Bond” ou a belíssima “Lopez” — esta, com vocais de James Dean Bradfield, do Maniac Street Preachers –, mas já demonstravam menos fôlego. A cena eletrônica seguia por outros caminhos e, paradoxalmente, um dos maiores reinventores da matéria havia perdido o fio da meada.

Lançaram mais um disco em 2003, o patinador Outpost Transmissions, onde percebia-se claramente uma falta de direcionamento artístico.  Hoje a banda não existe mais, eventualmente se encontra para alguma apresentação e, infelizmente, é pouco lembrada pela sua importância, que não foi pequena. Mas eu tenho uma teoria para isso.

Como a música eletrônica, pela própria natureza, é mais volátil do que outros ritmos, rapidamente um artista fica obsoleto, se comparado aos modelos atuais. Isso induz às pessoas a certos equívocos, repetindo num mantra que determinado artista hoje soa “datado”, seja pelo uso de equipamentos disponíveis no momento, seja pela escolha de timbres e programas de edição. Enfim, mera injustiça por erro de parâmetros.

O 808 State veio aqui em 1996 no Free Jazz, na mesma noite que a Björk. Perceba neste vídeo como causavam um certo estranhamento pelo fato de serem “uma banda tocando seus instrumentos”, diferentemente de um DJ set esperado.

808 State no Brasil, em 1996, no saudoso Free Jazz

Contudo, como eu já disse lá em cima, desde a saída do Martin Price,  Graham Massey passou a ser a figura responsável pela banda. Saca “Army of Me”, da Björk? Então, é sua coautoria – não seria exagero afirmar que ele deu um empurrãozinho na carreira solo da islandesa. Além disso, mesmo antes do 808 State, ele tinha uma banda fantástica, meio industrial, toda performática, chamada Biting Tongue, que ainda hoje se reúne em apresentações ocasionais. Descobri por conta deste post e achei muito bacana.

De fato a quantidade de projetos ao qual ele se envolve tende ao infinito, mas destaco ainda a big band jazz eletrônica Toolshed, que também tem o James Ford, do Simian Mobile Disco; o setentista Homelife e, acima de tudo, sua fundamental participação por trás do quarteto feminino Sisters of Transistors, onde ele assina como Prof. Vernon World, toca bateria e cuida da produção. Para mim, o Sisters of Transistors representa o que há de melhor hoje em Manchester — o que significa muita coisa, pois estamos falando de um local marcado a ferro no imaginário de muita gente há pelo menos duas décadas.  Tudo isso além de seu projeto solo: sob o pseudônimo de Massonix ele lançou no ano passado um álbum chamado Subtracks, chegando a se apresentar na última edição do Glastonbury.

“The Don” do Sisters of Transistors, com Massey na bateria: espetacular!

Bati um papo com Graham Massey por e-mail, onde ele falou sobre Björk, “as cenas” de Manchester nos dias de hoje, o fim do 808 State, seus projetos pessoais e – precisei perguntar, sorry – música brasileira.

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Entrevista Graham Massey

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SEDATIVO – O 808 State acabou em definitivo?

Graham Massey – O 808 State não existe mais. A banda oficialmente terminou depois do álbum Outpost Transmissions de 2002/2003. Assinamos contrato com uma gravadora nova que não conseguiu promover o álbum (nem nos pagar) e, após 15 anos juntos, sentimos que, musicalmente, nossa missão não estava clara.

Quando começamos em 1988, parecia haver um número ilimitado de opções em relação ao que poderia ser feito com a nova tecnologia. Por volta de 2000, a impressão era que você tinha que definir bem claramente que tipo de música eletrônica você estava fazendo – queríamos fazer uma música única – e acho que Outpost Transmissions é um sucesso nesse aspecto.

Mas, para o mercado, não éramos IDM, nem uma banda para a pista e, de certa forma, nos sentíamos como um ET. Naquela altura, seria difícil para nós antever o que estava por vir, que no Reino Unido seria um retorno às raves e ao electro de uma geração que tinha perdido completamente o primeiro bonde desses gêneros — a new rave.

Acho simbólico o fato de que a 1ª faixa de Outpost Transmissions seja uma colaboração “electro” com o Simian Mobile Disco e que eles quase se tornaram os reis dessa segunda geração rave. E que também haja uma faixa com Guy Garvey, do Elbow, que acabaria se transformando em uma das mais bem sucedidas bandas do Reino Unido nos últimos anos – algo também difícil de prever quando o álbum foi gravado.

Então, quando paramos em 2003, ainda estávamos relançando alguns de nossos trabalhos iniciais no selo Rephlex, de Aphex Twin.  Nosso primeiro álbum, Newbuild, era bastante raro e, quando se achava um usado, ele chegava a ser vendido a £150, daí decidimos remasterizá-lo. Em seguida veio uma coletânea de singles de 12 polegadas e faixas inéditas do mesmo período de 1988/89. Depois completamos o período com uma versão remasterizada do Quadrastate de 89.

Comecei então a remasterização de nosso catálogo na gravadora ZTT, o que deu muito trabalho, pois as fitas estavam todas desorganizadas e decidimos incluir muito material extra em cada um dos 4 álbuns. Finalmente relançamos tudo em setembro de 2008. E decidimos promover os relançamentos tocando em alguns festivais no verão passado. Foi bem divertido tocar juntos de novo, sem as pressões comerciais. Não temos nenhum plano concreto de gravarmos qualquer coisa no momento.

SEDATIVO – E os projetos pessoais?

Graham Massey – Além do meu trabalho com The Sisters Of Transistors e vários remixes para outras bandas, lancei Subtracks, um álbum de electronica [ao qual Graham assina como Massonix], convidado pelo selo Skam. Em várias ocasiões já tinha feito concertos solo convidado pelo Autechre e eles me incentivaram a juntar tudo em um álbum, gravado entre 1995 e 2005, resultando num trabalho muito pessoal que me deixou bastante feliz. Fui convidado a sair em turnê com o Autechre no ano passado e também fiz uma parte das turnês americanas e japonesas como Massonix, onde basicamente improvisei a toda noite.

Outro disco de que me orgulhei bastante, e levou muito tempo para terminar, foi do Toolshed. Em 1998 abri um clube em Manchester chamado Toolshed, onde tínhamos uma banda convidada tocando (gente como Squarepusher e Matthew Herbert se apresentava lá) e uma banda fixa, fazendo experimentações. Pouco a pouco, virou uma grande banda, chegando a ter 28 membros, às vezes 14, outras 6, mas nunca deixamos o grupo acabar e o álbum é uma coletânea de gravações em estúdio e ao vivo do projeto.

No Toolshed compus no computador, mas também toquei muitos instrumentos como guitarra, sax, teclado. Era uma extensão do som ao vivo, mais cru, que fazíamos com o 808 State. E alguns músicos como Paddy Steer, James Ford e Pat Illingworth tocavam ao vivo com o 808 State assim como no Toolshed e em outro projeto para o Ninja Tunes chamado Homelife. Portanto éramos como uma família de músicos.

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SEDATIVO Você declarou certa vez que não estava muito motivado em produzir música para as pistas. Ainda pensa da mesma forma?

Graham Massey – Depende. Às vezes, se estou fazendo um remix, posso voltar a fazer estritamente um club mix. Bons exemplos são “Black Out” do The Whip e “Pronoid” do Chrome Hoof ou “The Don” do Sisters of Transistors. Mas não gostaria de ficar restrito a DJ como músico. Eles são tantos que já poderiam ter seu próprio planeta!

SEDATIVO Você foi uma pessoa importante no início de carreira solo da Bjork. Como isso aconteceu?

Graham Massey – Quando Björk ainda estava nos Sugarcubes, ela ouviu os álbuns iniciais do 808 State e creio que tenha encontrado neles a abordagem polirrítmica que  procurava para algumas de suas idéias. Então ela entrou em contato conosco, de uma maneira bem humilde, e nos encontramos para que ela nos mostrasse algumas dessas ideias, que na época não passavam de arranjos para metais. Ainda tenho o cassete, em que estão canções como “The Anchor Song” e “Violently Happy”, mas sem letra e sem beat.

Foi quando a convidamos para experimentar umas coisas no álbum do 808. E durante este tempo que passamos juntos, descobrimos que podíamos compartilhar muitas ideias e gostos musicais. Tudo aconteceu com muita naturalidade. Só conversamos e nos incentivamos mutuamente.

Acho incrível o ponto a que ela levou a sua capacidade de composição. E tudo tem a ver com trabalho duro. Muitas pessoas têm talento, mas ela é muito exigente consigo mesma e seu trabalho, não se deixa cair na mesmice, se reinventa, mantém-se alerta, viva!

SEDATIVO A indústria fonográfica, como a conhecemos, está indo à falência. Você tem algum palpite sobre o futuro?

Graham Massey – Parece loucura o fato de que costumávamos gastar tanto dinheiro em gravações – uma faixa comum no início dos anos 90 podia sair por £2000 em tempo de estúdio e edição – e descartávamos algumas dessas faixas porque escrevíamos no estúdio. Fico pensando que os sistemas de software baseados no Mac que temos agora são incríveis e teria sido muita sorte nossa ter algo parecido na década de 90. Só com o passar do tempo você consegue detectar as imperfeições do software de cada era.

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SEDATIVO Como está a cena musical de Manchester hoje em dia?

Graham Massey – Não estou certo de que você possa chamá-la de uma cena – é uma coleção de muitas cenas pequenas. Mas elas são dominadas por pequenos estabelecimentos com equipamento limitado e uma volta à simplicidade acústica ou folk. A cena eletrônica em Manchester está quase completamente morta – o tradicional evento conhecido como Sequence Night teve seu último suspiro neste ano.

Há várias bandas independentes que te dão esperança. Muitos de meus amigos músicos se apresentam em shows que envolvem projetos musicais não-comerciais. Fazemos um esforço para manter a coisa viva, mas, é claro, somos a turma dos mais velhos.

SEDATIVO Em sua página no myspace está escrito: “Eu poderia escrever um livro”. Qual título ele teria?

Graham Massey – The Lost Chord and How to Make Sure it remains Lost [algo como: “O acorde perdido e como assegurar que ele continuará perdido”].

SEDATIVO Lá também constam vários artistas brasileiros citados como influência. O que lhe desperta interesse em nossa música?

Graham Massey – É uma música que dá igual ênfase ao ritmo e a melodia. Consegue ser fundamental e sofisticada ao mesmo tempo. É como quero que minha música seja também. Quando era adolescente, me interessei por Airto Moreira e sua música e, através dela, por Hermeto Pascoal. Acho que a abordagem deles, da “cor” na música, me influenciou à beça. Um de meus primeiros papéis como músico numa banda foi o de percussionista, como o Airto.

Adoro algumas músicas da Elis Regina. Alguns músicos tropicalistas são muito populares aqui em Manchester: Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé. Sempre gostei de uns trabalhos da fase inicial do Milton Nascimento e tenho uns CDs do Bezerra Da Silva. Não posso dizer que eu seja um expert, mas a música brasileira sempre circulou entre os músicos de Manchester.

(colaborou na tradução: José Carlos Souza Jr)

Spike Press

16/09/2009

Conheci o trabalho deste designer americano, John Solimine, através da Cynthia, do Linked-o-Rama — um blog recomendadíssimo, aliás. Os posters de shows são belíssimos,  todos clean, de uma leveza impressinante. Virei fã.

Tanto da Spike Press, quanto do Linked-o-Rama.

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Dois artistas que estão concorrendo ao VMB 2009 na tal categoria.

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O goiano Black Drawing Chalks com uma animação pop art para a música “My Favorite Way”.

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E Nervoso e Os Calmantes, com uma roupagem felliniana para o bolero “Eu que Não Estou Mais Aqui” — a Guta Stresser (que faz a Bebel no humorístico Grande Família e é namorada do Nervoso na vida real),  incorporou uma espécie de Giulietta Masina, em A Estrada, de Fellini.

Juro que se eu tivesse um pingo de paciência para esse tipo de “competição”, votaria em ambos.

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