Maybe the Welders: Pitti é o carinha de prateado descendo a escada

Fabrizio Moretti, dos Strokes, não é o único baterista brasileiro que toca numa banda nova iorquina.  Pitti é um “carioca por tabela” que mora em Nova Iorque há mais de 20 anos e há cinco toca no Maybe the Welders.

Conversei com Pitii por e-mail sobre a movimentação musical de Nova Iorque e as dificuldades que uma banda brasileira encontrará, caso queira se aventurar pelos States.  O Maybe the Welders fará uma mini turnê  pelo Sudeste, sendo o primeiro show hoje no Rio, na festa de lançamento do portal Laboratório Pop, que terá também apresentação do Terminal Guadalupe, entre outras bandas.

A pedido do Sedativo, Pitti liberou uma versão inédita da faixa “Streets of Rio“, que você pode baixá-la aqui.

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Sedativo – Vocês fizeram o primeiro show no lendário CBGB, com apenas 3 meses de banda. Guarda boas recordações?

Pitti – Cara, me lembro de ter sido como um relâmpago, quão rapido tudo rolou. Chovia muito e fazia muito frio — o que não ajudou no fato de estarmos muito gripados,  meio afônicos e febris.  A energia  fenomenal do local e da galera presente fez tudo isso desaparecer. Esse dia, com certeza, marcou pra sempre pra todos nós, principalmente com o fechamento do local não muito tempo depois. Ah, se você alguma vez ouviu dizer que o CBGB cheirava a Rock&Roll, estou aqui comprovando que é a pura verdade.

Sedativo – Como anda Nova Iorque em termos de bandas e locais para show?

Pitti – Depois de um grande período estagnado, a cena está voltando.  Com o fechamento dos locais lendários, Manhattan não é mais um local tão cobiçado. Os locais para shows estão se concentrando no Brooklyn. Fico feliz em constatar que tem uma grande leva de novas bandas alternativas pintando.
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“Hot Shot” – Maybe the Welders

Sedativo – A gente acompanha muita banda brasileira tocando em Londres, mas raramente em NY. Você faz alguma idéia do motivo?

Pitti – Com certeza Londres está e, provavelmente,  sempre estará mais aberta para novas bandas com propostas diferentes. O público em NY e muito distante. Aqui acontece muito das pessoas irem assistir uma banda específica e não dar a chance de ouvir a banda anterior ou a próxima. O motivo exato eu não sei dizer, tenho minhas ideias mas prefiro guardá-las comigo.

Sedativo – Qual conselho você dá para bandas brasileiras que queiram tocar em NY?

Pitti – Pra voce vir tocar aqui você tem que ter um bom manager (produtor) com contatos e de preferência fazer parte de um selo. Pra voce ter uma ideia, o Cansei de Ser Sexy tocou numa casa no Brooklyn, num show grátis e isso depois de já terem participado do festival Coachella.

Sedativo – Como seus amigos de banda encaram o Brasil?

Pitti – Tenho que confessar que fiquei bem apreensivo na nossa primeira viagem, me sentindo exageradamente responsavel por eles. Mas tudo isso mudou no primeiro dia. Um grande exemplo foi no dia em que chegamos ao Rio. Estávamos caminhando nas proximidades da Praia Vermelha quando tive que usar o orelhão. Depois da minha ligação, procurando freneticamente por eles,  me deparo com os dois do outro lado da rua tomando uma cerveja, comendo salgadinho em pé num boteco.

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