Hoje é o último dia para assistir Loalwa Braz no Bar do Tom. Para quem não está linkando o nome ao estiloso black power branco (!!!), essa hoje senhora foi vocalista do Kaoma, grupo unipresente no Brasil da década de 80 com os megahits “Dançando lambada” e “Chorando se foi”  — esta, na verdade, uma versão  do Kjarkas, um dos mais tradicionais e popularescos grupos de música andina da Bolívia.

Pensando no inusitado do encontro, este blogueiro resolveu convidar o multi-homem João Brasil para uma mini entrevista com a Loalwa.

João Brasil – Você já conseguiu fazer os gringos dançarem juntos?

Loalwa Braz – Durante minhas turnês internacionais, ja presenciei vários casais estrangeiros dançando. Mesmo não sendo exímios dançarinos, deixavam-se levar pelo ritmo contagiante e se divertiam muito.

Já vi também casais estrangeiros arrasarem na lambada, graças aos professores de dança de salão brasileira, que dando aulas em academias espalhadas  pelo mundo, transmitem com amor e profissionalismo, a arte do dançar.

João Brasil – Como é a formação da sua banda? Quantos músicos tem? Você já cantou com DJ?

Loalwa Braz – A formação da banda pode variar de 6 a 9 músicos e no mínimo 2 casais de dançarinos, tendo uma base com piano, baixo, bateria, guitarra e percussão. Podendo adicionar sax, trompete e trombone, se tocarmos em um grande local. E não, nunca cantei com DJ. Apesar de ter recebido várias propostas e ter gostado da ideia. Minha agenda não permitiu.

(nota do Sedativo: Aê, João, é a deixa!)

João Brasil – Você já sofreu algum preconceito por cantar lambada?

Loalwa Braz – Sim. Já ouvi a frase: “Você? Uma cantora de formação clássica e jazzística cantar lambada?”.  Até hoje não entendo esta pergunta. A música “Chorando se foi” tem uma linda melodia, uma boa letra, a dança é magica.

Toda a história da Lambada e sua trajetória, marcaram positivamente, milhões de pessoas, divulgando centenas de músicas, minhas ou de outros artistas que também participaram deste fênomeno. Sinto-me honrada em fazer parte deste movimento. Talvez o preconceito seja somente dor de cotovelo.

João Brasil – Quais são as suas cinco lambadas favoritas?

Loalwa Braz – “Chorando se foi”, “Lambamor”, “Dançando lambada”, “Melodie D’amour” e “Lambacaribe”.

.

Anúncios

Com alegria esfuziante recebi dos correios um pacote com carimbo de Nova Iorque.  É a coletânea Brazilian Guitar Fuzz Banana lançada na gringa pelo insuspeito Joel Stones, que me mandou este magnífico presente.

Se você não leu a entrevista que eu fiz com Joel da última vez que ele veio ao Brasil ou se nem mesmo viu a matéria de capa do Segundo Caderno do Globo de ontem, eu explico.  Joel Stones é um paulista de 36 anos que abriu em NY uma loja de discos de vinil especilizada em música brasileira. Só este fato já faria de Joel uma figura interessante. Mas ele foi além:  preparou a tal coletânea garimpando músicas  de compactos psicodélicos lançados no Brasil entre 1967 e 1976 . Tudo raríssimo, originalmente de tiragens ínfimas. Arqueologia pura!

Joel fez um trabalho meticulo, na medida do possível, dadas as previsíveis dificuldades para se encontrar informações sobre discos lançados há mais ou menos 40 anos.  O CD vem acompanhado de um livreto onde  os compactos tiveram suas capas reproduzidas e cada música recebeu um textinho feito pelo próprio, além de um documentário mostrando os bastidores de todo o processo, desde a  masterização das faixas (digitalizadas a partir dos vinis) à incansável busca de Joel pelos artistas relançados.

Saca o teaser:

Alguns artistas são pouco conhecidos como The Pops, Fábio (do cult hit “Lindo Sonho Delirante”) e Serguei (que você sabe quem é, mas não conhece seu trabalho de fato). Outros,  como Loyce  & os Gnomes, Ton & Sérgio, Banda de 7 Léguas e Falcões Reais, ficariam perdidos para sempre no tempo, se não fosse este trabalho incrível de Joel Stones.

Você pode comprar o disco aqui — que também tem uma versão em vinil, com óculos 3D.

.

Retratando passagens bíblicas com uma franqueza desconcertante, Caravaggio, morto há  exatos 400 anos, foi um pintor barroco que rompeu com a estética do belo e, não à toa, foi um dos primeiros artistas  (atenção para este dado) a ser acusado de querer “chocar” gratuitamente com suas obras.

La Crocifissione di Sant’Andrea

Não é difícil imaginar o quanto as pessoas devem ter se sentido ultrajadas com sua pintura, em plena virada para o século 17, de um São Tomé incrédulo, pondo o dedo na ferida de Cristo — no sentido literal, num ato proposto pelo próprio, segundo a bíblia.

Além disso, os apóstolos antes retratados “com dignidade” eram pintados por Caravaggio como pessoas calvas, com rugas e roupas surradas.  Sai o caráter celestial e entra o mundano.

Incredulitá di San Tommaso

Um pária, Caravaggio circulava pelo submundo de Roma e sempre se metia em confusão, fatos mais que suficientes para ganhar minha simpatia (rs). Ele usava mendigos e prostitutas como modelos para suas recriações dos mitos clássicos, o que me faz pensar com um risinho interno: quantas meretrizes podem ter sido usadas como representação da Virgem Maria? Era o tal embate entre o sacro e o profano.

Veja este quadro abaixo. A Virgem foi pintada com um vestido típico de cortesã  e a cena em si não tem um pingo do glamour que poderia se esperar da passagem da poderosa para o reino dos céus.

La Mort de la Vergine

Mas provavelmente seu maior legado foi o impressionante domínio entre o contraste de luz e sombra, onde o chiaroscuro encontra sua representação mais radical, gerando um caráter de forte apelo dramático — não por acaso é a típica iluminação usada no teatro.

O exemplo mais legal que me vem à cabeça da influência de Caravaggio na cultura pop é o clássico e belíssimo clipe de “Losing My Religion” do REM.

E até hoje não se sabe ao certo se Caravaggio morreu de febre ou assassinado por um desafeto.

.

O Supergrass jogou a toalha. Formada em 1993 em Oxford, a banda, cujo maior sucesso foi a jovial “Alright”, declarou que manterá os quatro shows agendados para junho, mas que estes serão os últimos da história da banda.

Desta forma o britpop sofreu mais uma baixa entre seus principais representantes da primeira leva. Pense comigo: Elastica e Pulp inexistem há tempos; o Snow Patrol, embora em turnê, não lança um disco de inéditas há 2 anos; o Suede alardeou uma volta mês passado, mas ainda não mostrou a que veio e o show mais próximo agendado é para 7 de agosto; o Blur, apesar de disponibilizar antes de ontem uma música inédita para download em seu site, deu um tempo para que seu vocalista Damon Albarn se dedique ao Gorillaz; o Oasis sucumbiu a eterna tensão que existia entre os irmãos Gallagher; o Verve mantem a inconstância de idas e vindas e nada tem acrescentado a sua carreira; o Manic Street Preachers ainda esta ai, mas, na real, ninguém de fato se importa. Aparentemente, Radiohead e Placebo (que tocou no Brasil semana passada) talvez sejam as duas bandas que efetivamente ainda tem algo a mostrar hoje.

Se o que está havendo é uma crise passageira entre seus pares, não dá pra afirmar, mas assusta pensar que um dos movimentos mais significativos do rock inglês está à beira de um fim.

Assista um video caseiro feito por duas fãs para a música “Alright” do Supergrass e comece bem a semana:

Um belo trabalho, meninas. : )

.


“Os políticos não têm o conceito de uso de drogas. Para eles o uso é sempre abuso. Não existe sequer a ideia de que alguém pode passar a vida usando drogas e não ter grandes problemas sociais”

Amanda Feilding

Excelente matéria da Trip sobre o nosso milenar ato de alterar a consciência. Se no século passado tivemos grandes avanços no que diz respeito à nossa sexualidade, a questão das drogas pouco avançou. Mas percebo que aos poucos o diálogo tem evoluido.  A repressão, já sabemos, se mostrou desastrosamente ineficaz. O caminho é o debate.  Como sempre, aliás.

.

“No momento estou envolvido com a direção musical do espetaculo Sade em Sodoma, com direção de Gerald Thomas e Ivan Sugahara, estrelado pela Guta Stresser. Este trabalho vem me dando um prazer indescritível pela riqueza das novidades musicais inseridas em todo processo de composição e elaboração dos arranjos. A estréia será mês que vem.”
.
.

Mestre no stencil e nas intervenções urbanas, o misterioso Banksy dirigiu um documentário sobre street art que entrará em cartaz sexta-feira em Nova Iorque, depois de uma calorosa estréia em Sundance.

Lembra do Banksy, né?

A dica do filme foi o Laza quem deu.

.