Conrado Almada é o cara por trás dos últimos clipes do Skank.  Em um papo com o Sedativo ele falou sobre a influência das plataformas de divulgação na criação de seu trabalho e sua relação com a banda mineira.

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Sedativo – Seu trabalho anterior com o Skank, a música “Sutilmente”, foi uma produção mega, que envolveu uma estrutura enorme e mobilizou dezenas de pessoas. E agora você fez um videoclipe para a faixa “Noites de um verão qualquer” em stop motion apenas com seu assistente. Como é passar de um extremo ao outro mantendo a qualidade artística?

Conrado Almada – Acho esse  o lado legal de trabalhar com clipes. Em cada situação você está diante de um desafio diferente, com orçamentos diferentes. É difícil dizer qual dos dois clipes deu mais trabalho. No “Sutilmente” tivemos que construir uma estrutura gigante com um esquema de segurança imenso, e envolvemos quase 100 pessoas, o que nunca é fácil. Já no “Noites de Um Verão Qualquer” a dificuldade também foi bem grande, mas foi para outro lado. Alí foi um exercício de planejamento, paciência e concentração enormes. Sinceramente, não consigo dizer qual deu mais trabalho, mas ambos também me deram uma satisfação enorme quando ficaram prontos.

Sedativo – Temos poucos progamas de videoclipes na televisão. A MTV, que até lhe deu prêmio ano passado, passa cada vez menos clipes em sua grade. Por outro lado, sabemos que o principal canal de escoamento dessa produção hoje se dá na net e, sobretudo, no youtube. Esses dados são levados em conta no hora de desenvolver as ideias? Eles interferem de alguma forma em seu processo criativo?

Conrado Almada – A maior mudança, pra mim, foi em relação ao feedback dos trabalhos. Hoje você vê exatamente o que as pessoas pensam, através dos comentários que elas deixam sobre os videos. Isso é muito legal pois é fundamental ver opiniões sinceras sobre algo que você fez. Quando era só TV ficava muito difícil mensurar a aceitação dos trabalhos. Isso influencia bastante, principalmente para as gravadoras. Tem casos de clipes que foram tirados do ar em função de comentários extremamente negativos, que o pessoal não aguentou a pressão. A internet também abre possibilidade pro surgimento de bandas novas e diretores também, que podem se destacar realmente pelo seu trabalho e não por lobby de gravadoras junto aos canais de TV. Pessoalmente prefiro muito mais como é hoje.

Sedativo – Foi o seu terceiro clipe com eles. A parceria se manterá?

Conrado Almada – Nossa relação é ótima e vem amaduracendo a cada trabalho. Hoje a banda confia muito em mim e acredita nas minhas ideias. O Skank é uma banda incrível pra se trabalhar, pois eles te dão os dois principais elementos pra se dirigir um clipe: boas músicas e liberdade criativa. Nossa sintonia é realmente é muito boa.

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“Atualmente estou em várias atividades que têm fronteiras borradas, zonas de interseção. Em música, gravei uma faixa como Voz del Fuego com o Alexandre Mandarino para uma coletânea que deve ser lançada no meio do ano; o CD do Skygirls (projeto do Rogério Skylab) tá rolando por aí e o Dziga Vertov foi selecionado com faixa ‘A Incrível Encantadora de Números‘  para uma exposição virtual organizada pelo o coletivo br.ada e o site Blanktape, em homenagem a Ada Lovelace.

Também estou em duas paradas musicais novas bem no início – vamos ver se anda! Nessa mesmo expo que citei também entrei com um trabalho de arte sonora, ADA jpg > ADA wav, desenvolvido também em colaboração com o Alexandre. Tenho vários projetos nessa área e aí entra o Mestrado em Arte e Cultura Contemporânea que comecei a cursar este ano na UERJ.

Terminei recentemente o vídeo documentário curta-metragem sobre a escritora Hilda Hilst, A Obscena Senhora Silêncio. Foi filmado em 2001 e eu não encontrava os meios para finalizá-lo, até que a tecnologia necessária barateou, as pessoas e as coisas envolvidas se estruturaram melhor e dois amigos se dispuseram à terminá-lo.”

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Assista abaixo o teaser de A Obscena Senhora Silêncio, de Leandra Lambert


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